HORA E VEZ DE RAFAEL CABRAL 

No famoso Grande Sertão, de Guimarães Rosa, Riobaldo já dizia que “o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

A chegada de Rafael ao Cruzeiro foi cercada de muitas dúvidas dos torcedores, sobretudo pelo fato de o novo goleiro ter que substituir icônico goleiro Fábio, multicampeão que mais vezes vestiu o manto azul. E não só isso. O momento conturbado, que ainda estava bem alvoroçado com a mudança de gestão, também contribuiu bastante para a desconfiança do novato do gol celeste.

De início, atuações titubeantes que já balizavam vaias das arquibancadas durante o Campeonato Mineiro. E, para piorar o clima para Rafael, o jovem goleiro Denivys entrava e atuava melhor. Coube ao comandante Pezzolano acreditar e dar a necessária sequência ao jogador.

Assim foi.

Com a sequência de jogos e com a abrupta mudança de esquema de jogo em decorrência da perda de jogadores durante a competição, a defesa azul com três zagueiros passou a ganhar notoriedade ao sofrer pouquíssimos gols no Brasileirão da Série B. Nessa toada, estava e está lá Rafael Cabral. 

Rafael Cabral abafou as vaias do Campeonato Mineiro e vem atuando de forma extremamente aguerrida na meta azul. Hoje mostra segurança, mostra confiança. E, para melhorar, sente o apoio fervoroso da torcida, mesmo daqueles que já o haviam vaiado um dia. 

Rafael vem colecionando marcas dignas de Dida e de Fábio.  Pênaltis defendidos, defesas à queima roupa e ótimo posicionamento. Não restam dúvidas de que, nessa reconstrução do Cruzeiro, o dono da camisa 1 é uma de suas bases mais sólidas. O último jogo foi um ótimo exemplo para ilustrar essa bela trajetória do goleiro celeste. Contra o Bahia pegou tudo e mais um pouco. Os três pontos foram praticamente conquistados em função dele.

 

Hoje já vemos notícias de desejo do São Paulo e da Sampdoria em ter o goleiro azul. Não é por acaso, pois. 

Esses altos e baixos fazem parte da vida, mas, quando os altos permanecem por mais tempo, a alegria é a melhor consequência. É assim com o Cruzeiro, com o Rafael, comigo e com você. Sigamos o melhor caminho, pois, afinal, o que a vida “quer da gente é coragem” e, talvez, um pouco de paciência.


Edvano Lima 

Rádio Novo Tempo Santa Luzia

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