NO MEIO DO CAMINHO 

Os famosos versos de Drummond poeticamente já nos ensinavam que “no meio do caminho tinha uma pedra” e que “tinha uma pedra no meio do caminho”. Essa pedra vira e mexe aparece nas caminhadas, às vezes grande, às vezes pequena. A pedra representa os obstáculos a serem enfrentados por todos aqueles que caminham rumo a um objetivo. Esses obstáculos podem se externos e também internos. 

Na partida contra o Ituano, o Cruzeiro teve a experiência maior com os obstáculos externos, materializados na atuação pífia da equipe de arbitragem que, mesmo com  VAR e tudo o mais, anulou um gol (mais um) do Edu, que estava em posição regular. Confesso que estranhei a rapidez da decisão da arbitragem, o que até trouxe uma sensação de que estavam certos. Aí veio a tal linha do impedimento, porcamente traçada pelos profissionais capacitados para operar o VAR. E lá ficou o empate (1 a 1) com sabor de derrota, graças à incompetência da turma da arbitragem de vídeo. 

Em seguida, o jogo contra o Guarani em Campinas. Desde minha infância ouvia meu saudoso pai dizer que o Guarani sempre foi uma pedra do sapato do Cruzeiro. E dessa vez não foi diferente. A equipe campineira impôs a derrota por 1 a 0 ao Cruzeiro. E o Guarani nem precisou ser pedra no sapato, pois dessa vez o obstáculo foi interno. O Cruzeiro cuidou de ser sua própria pedra ao jogar de uma forma bem diferente do que a torcida já vem se acostumando. Faltou apetite, faltou aquela intensidade. Irreconhecível. 

Apesar das pedras no caminho, a terra está longe de ficar arrasada. Cruzeiro perdeu, mas se mantém firme na liderança. É óbvio que não se deve desconsiderar esses dois tropeços seguidos, mas a rotina desta temporada está bem favorável. Basta lembrar que nos dois anos anteriores a regra era a “via crucis” de empate, derrota, empate, derrota... 

Serve essa experiência negativa para o Técnico Paulo Pezzolano aprofundar sua avaliação das peças do elenco, ainda mais num momento próximo de contratações na janela de transferências. Ademais, não há tempo para lamentações, mas para trabalho. Muito trabalho. 

Amanhã, terça, é dia de casa cheia contra o Fluminense. Em jogo, a classificação à próxima fase da milionária Copa do Brasil. Cruzeiro precisa ganhar, no mínimo, por dois gols de diferença no tempo normal para seguir em busca do heptacampeonato. Diante de sua torcida, que lotará o Gigante da Pampulha, o Cruzeiro terá a oportunidade de mostrar que os tropeços da semana que passou foram de fato apenas pedras no caminho, fazendo um jogo intenso, aguerrido e – por que não dizer? – coroado com uma classificação. 

Por Edvano Lima 

Rádio Novo Tempo Santa Luzia

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